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domingo, 21 de dezembro de 2014

A Volta do Vinil - Versão 33 1/3

Ok, ok... Sei que o assunto está na moda e que a internet está cheia de textos abordando o “mundo encantado dos discos de vinil” e sua atual redescoberta.
Mas aí eu te pergunto: Quantos desses textos foram escritos por alguém que tem alguns LPs, ou no mínimo conheça um pouco desse universo?

Pois é...
Foi justamente nesse ponto que pensei em falar um pouco, não somente sobre música, assunto que muito me apetece, mas também sobre equipamentos, tecnologia e alguns cuidados básicos para se tomar antes de se aventurar nesse mundo.


Alguns dos "prediletos da casa"


Então vamos lá!
Eis que um dia você acorda e sente aquela vontade incontrolável de colocar sua antiga coleção de discos para tocar. Ou... Nunca teve discos, mas como amante de música, decidiu se aventurar e formar uma coleção com seus artistas e álbuns prediletos nesse formato.

E agora, por onde começar?

Se você já possui um acervo, seja grande ou não, é preciso identificar as condições e estado de conservação nas quais se encontram atualmente. Pó, mofo, umidade, são alguns dos inimigos de um bom resultado sonoro, bem como de seu toca-discos e sua sensível agulha.

Por outro lado, se está começando a investir em discos agora, depende do que está a procura. Se no geral compra LPs novos, sejam nacionais ou importados, seus cuidados deverão ser , não somente, mas principalmente voltados à conservação.

Já, se não pode ver um sebo e encontrar aquele disco procurado pela bagatela de 5,00 reais faz mais sua cabeça, aí a coisa é um pouco mais complexa.

Cápsula Audio Technica AT440MLa + Headshell Ortofon
Existem no mercado inúmeros produtos de limpeza, bem como máquinas próprias para isso. Fora do Brasil a quantidade dessas máquinas é bem grande, mas as dificuldade de importação devido o tamanho, valor e a boa e velha burocracia tupiniquim na hora do desembaraço alfandegário, acabam inibindo quem pensa em se aventurar por esse caminho. No Brasil até onde tenho conhecimento, contamos apenas com a PHK. Nunca a testei, nem mesmo a vi pessoalmente, mas praticamente todos os usuários da máquina são, no geral, unânimes quanto a seus benefícios em relação a uma boa lavagem manual. O que me leva a crer que possa ser realmente algo interessante para se investir.

Temos também as escovas anti-estática. Confeccionadas com cerdas feitas de fibra de carbono, prometem não só limpeza, como a eliminação da eletricidade estática que se acumula nos discos. Causando além de ruídos na reprodução, a atração de partículas de poeira para a superfície dos discos.
Conheço usuários que condenam seu uso, mas em minha experiência vi mais benefícios do que malefícios. Depois que adquiri uma, nunca mais vi qualquer acúmulo de poeira na agulha. Ela não faz milagres e sinceramente se diminui a estática, no meu caso deve ser em pouquíssima escala, mas só pelo fato de manter a agulha razoavelmente limpa, valeu o investimento.

Cápsula Ortofon 2m Blue + Toca-Discos Thorens TD 190-2


E o toca-discos?

Em pleno ano de 2014, grandes e conhecidas marcas do seguimento de áudio mantêm em linha equipamentos que custam de poucos dólares, a fortunas que passam fácil do valor de automóveis de luxo.
Além desses "toca-discos", ainda existem opções de vitrolas com aparência de rádio-vitrolas vintage, mas que na realidade são equipamentos modernos, porém, sem o apelo da qualidade de hora da reprodução. Por isso é interessante colocar na balança quanto deseja gastar e que caminho quer seguir: Se prefere uma vitrolinha "da moda" em sua estante, onde a aparência é o que importa, ou se busca qualidade e fidelidade na reprodução dos LPs. Afinal, com o preço de uma dessas, muitas vezes compra-se um toca-discos novo ou usado que trará performance muito mais séria do que as vitrolas.

Audio Technica AT LP1240
Dentre os sistemas mais conhecidos de acionamento, os principais, ou mais populares, dividem-se basicamente em dois tipos: Os de correia e os direct drive (ou DD). Existem também outros, como transmissão por polias, mas esses são atualmente pouco difundidos.
Ambos possuem seus defensores e têm características e vantagens próprias.
Os defensores dos de correia, apontam o baixo ruído de fundo como um de seus principais trunfos. Enquanto a precisão dos "DD" sempre foi sua marca registrada. Porém ambos evoluíram e como já tive os dois sistemas ao longo de muitos e muitos anos de audições, acredito que a diferença de qualidade está além do que apenas o conjunto de transmissão ‘motor – prato’.

Além de todas as questões técnicas que podem fazer diferença nos toca-discos, não podemos nos esquecer do conjunto ‘cápsula – agulha’, que em MINHA opinião, acaba fazendo muita, mas muita diferença no resultado final, deixando "impressa" sua assinatura sônica na hora da reprodução.

Os tipos mais comuns de cápsulas são as MM (Moving Magnetic) e as MC (Moving Coil). Não vou entrar em questões técnicas, pois não é a intenção desse post. Mas se tiver qualquer dúvida relacionada a esse ou qualquer outro assunto relativo a Áudio, basta entrar em contato pelo email no final do post, ou deixar sua dúvida nos comentários.

Bom... Agora você já colocou o sistema pra funcionar e quer aumentar a coleção.

Glen Hansard - Drive All Night


Fora do Brasil são inúmeras as opções de compras em grandes ou pequenas lojas. Basta um cartão de crédito internacional e boa dose de paciência para começar a comprar.

Sites como eBay e Discogs tem milhares de opções e uma variedade ainda maior de preços.  O segundo é bem bacana, pois é voltado para o comércio de mídias de música, o que o torna uma opção interessantíssima para encontrar aquele título ou edição especial limitada. A questão é sempre ficar atento a classificação do vendedor, bem como no estado de conservação do disco e é claro em seu preço.
Comprar em lojas conhecidas, como Amazon por exemplo, também é interessante, pois além da rapidez no envio, o serviço de pós-venda sempre é eficiente. Seja para tirar dúvidas, para troca de discos defeituosos, ou até o caso de extravio de encomendas.

E não se esqueça dos impostos de importação, que legalmente devem, e, muitas vezes são aplicados às compras internacionais.

The National - High Violet (Edição Limitada)
Enquanto isso no Brasil o número de lojas é bem menor, bem como a disponibilidade de títulos. Algumas grandes lojas online e físicas aderiram à volta do vinil e disponibilizaram títulos em seu catálogo, mas os preços nem sempre são convidativos.
Outra opção são os vendedores e lojas no Mercado Livre. Mas para uma compra segura, é imprescindível cuidado e pesquisa em relação ao vendedor.

Locais como as galerias do centro de São Paulo, como o shopping “Grandes Galerias” (Galeria do Rock) e a Galeria Nova Barão, são interessantes opções para compra e pesquisa, com a vantagem de voltar para casa com o disco embaixo do braço. Mas cabe nesse caso, procurar com muita calma, pois a diferença de preços entre lojas chega a mais de 100% em alguns casos.

A verdade é que o vinil sempre esteve entre nós e nunca deixou de ocupar espaço, mesmo que pequeno, nas prateleiras dos colecionadores.

Difícil imaginar o que acontecerá daqui um tempo quando esse boom passar. Mas para quem realmente gosta de colecionar itens relacionados à música, nada melhor do que um “bom e sempre jovem” disco de vinil.

Agora é apertar o play (ou o start) e curtir boa música.


Tem dúvidas ou sugestões?
Comente no Blog ou escreva para wilton.bjr@gmail.com


Todo o conteúdo © 2014 Wilton B. Junior - Direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização.

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WILTON é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
Divide seu tempo livre entre a família, seus discos de vinil e seu violão.
Escrever é um de seus hobbies. Mas junto com a música, sem dúvida essa é uma das maneiras mais sinceras de dividir com o mundo, o mundo que o habita.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Resenha: Ludov - Miragem (LP)

Ludov é um grupo paulistano formado por Vanessa Krongold, Mauro Motoki, Paulo "Chapolin" Rocha e Habacuque Lima. Além da colaboração atual de Hurso Ambrifi no baixo.
Começaram cantando em inglês no extinto "The Maybees" e decidiram mudar de caminho e gravar em português.

Além de 4 EPs lançados, também possuem 4 álbuns: O Exercício das Pequenas Coisas (2005), Disco Paralelo (2007), Caligrafia (2009) e Miragem (2014).



Foi na época do primeiro EP (Dois a Rodar) que os conheci com a canção "Princesa".
Balada quase açucarada, mas que para mim despertou o interesse pelo trabalho do grupo e mesmo sendo uma baladinha, tinha algo de "melancólico" nas palavras em sua melodia.
Pouco depois disso lançaram seu primeiro álbum completo, "O Exercício das Pequenas Coisas".
Com canções como "Dorme em Paz", "Kriptonita" e "Todo Esse Ar" tomaram lugar cativo em minha coleção.

Em seguida foi a vez de "Disco Paralelo", onde "Rubi" foi cantada várias e várias vezes pelo público em seus shows e logo mais Caligrafia. Esse último, além de ter sido lançado em mídia física, teve todas suas faixas disponibilizadas gratuitamente no site oficial do grupo. Uma pena canções como "Flor de Lótus" terem ficado de fora do disco físico. Para mim uma das canções mais belas e bem construídas do grupo até hoje.

E depois de uma sucessão de 3 EPs lançados e disponibilizados gratuitamente, em julho de 2014 foi lançado seu trabalho mais atual "Miragem".
Através de um processo de financiamento colaborativo, onde fãs puderam ajudar com pequenas doações, editaram o novo álbum também em vinil.
Além disso o álbum foi disponibilizado para venda no iTunes.


Vi o show de lançamento em julho, mas não só não baixei o álbum, como acabei comprando o LP apenas ontem, 5 meses depois.

Tive duas gratas surpresas:
1) O vinil acondicionado em capa gatefold tem uma bela ilustração de Gabriel Bá e é colorido. Um tom de vermelho escuro, quase marrom... Confesso, sou fã de discos coloridos.
2) A qualidade de som é bem bacana para uma prensagem nacional de um grupo de rock/pop/mpb/alternativo (existe isso?).

Algumas faixas tiveram uma mixagem inusitada, onde enquanto o vocal soa de forma muito clara, bateria e afins têm o som fechado, o que causa um contraste e até certo desconforto, mas soa no mínimo diferente. Em uma das faixas cheguei a me levantar, parar a reprodução e limpar a agulha para me certificar que era isso mesmo.



Pra quem gosta gosta de rock alternativo e de um som mais melancólico, esse último trabalho é uma boa pedida. Nada de baladinhas alegres. São melodias muitas vezes tristes, carregadas por uma marcante linha de baixo, teclados com a colaboração de Arthur Joly (produtor do disco e entusiasta desses equipamentos) e belos vocais de Vanessa Krongold.

É interessante ver a evolução de um grupo.
Não só em qualidade de composição, como na preocupação de entregar um trabalho bem produzido e cheio de detalhes.

Faixas como "Cidade Natal" soam realmente inspiradoras...

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Wilton é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
Divide seu tempo livre entre a família, seus discos de vinil e seu violão.
Escrever é apenas um de seus hobbies. Mas junto com a música, sem dúvida essa é uma das maneiras mais sinceras de dividir com o mundo, o mundo que o habita.

Trilogia do “Antes”- Antes do Amanhecer, Antes do Pôr do Sol e Antes da Meia Noite



“É como assistir ao vivo uma crônica da vida real; sorrindo, chorando e envelhecendo junto com os personagens”.


Por Agari P. Soares

Este texto contém spoilers.

Quando assisti Antes do Amanhecer (Before Sunrise-1995) pela primeira vez, tinha um pouco mais de 13 anos. Confesso que não tive maturidade, nem paciência suficiente, para aguentar um filme pautado somente em diálogos. Isso mesmo. Nada de vilão atrapalhando os mocinhos, reviravoltas surpreendentes ou algo do gênero, muito comum em filmes de romance.

Somente em 2004, quando saiu a continuação do filme Antes do Pôr do Sol (Before Sunset-2004) e já com meus 20 anos, despertou em mim a curiosidade de rever o primeiro filme, até mesmo para encarar o segundo com maior propriedade. E foi ali que eu senti que estava diante de uma pequena obra prima; e foi ali também que o Cinema começou a ser encarado por mim não somente como puro entretenimento.



Vamos para a história do primeiro filme:

Jesse e Celine são dois jovens de vinte e poucos anos que partem para uma viagem de trem à Europa, mais precisamente à Viena, na Áustria. Ele americano, ela francesa, começam a conversar de forma trivial durante a viagem. E assim, nós testemunhamos, em “tempo real”, duas pessoas se apaixonarem diante dos nossos olhos, de uma forma natural e autêntica. Afinal a paixão nasce não por que um tropeçou no outro, ou por que viveram aventuras ou acontecimentos dramáticos e sim por que apenas conversam.

Assim, passeando pela bela cidade de Viena e descobrindo-se cada vez mais pontos em comum com o outro, partilhamos da bela história de Jesse e Celine, que findada a viagem, combinam-se de se reunir novamente dali a seis meses exatamente em Viena. Muito jovens e sonhadores ( e em uma época onde a internet era apenas o começo de uma realidade) os dois resolvem não trocar telefones e nada do gênero, deixando o futuro nas mãos do destino.



Eis que nove anos depois é lançada a sequencia: Antes do Pôr do Sol.

Quando fui assisti-la minha expectativa era grande- O que será que tinha acontecido, Jesse e Celine se encontraram seis meses depois? Ficaram juntos?

Logo no começo temos a resposta que não: Jesse com uma aliança dourada na mão esquerda, virou escritor, está em Paris lançando um romance inspirado em sua história com Celine. E quem aparece na livraria para prestigiá-lo? A própria...

O que dizer de Antes do Pôr do Sol? Uma experiência tão incrível quanto foi Antes do Amanhecer, só que “melhorada”... Pois assim como os personagens, nos sentimos amadurecidos também em encarar essa continuação... A vida nos ensina que nem sempre acontece do jeito que queremos.

E assim novamente acompanhamos Jesse e Celine conversarem, desta vez pelas ruas de Paris.Visivelmente constrangidos em alguns momentos (+o que é lindamente crível na interpretação dos dois atores) eles começam a falar sobre suas vidas durante o “intervalo” de nove anos,os motivos pelo qual o encontro de ambos não deu certo, suas expectativas, suas frustrações. Descobrimos também que certos amores são para a vida inteira  e por que não dizer também únicos, tal como um encontro de “almas”. Assim os dois inevitavelmente mostram que continuam apaixonados mesmo depois de tantos anos.
O filme deixa um final aberto, o diretor sabiamente deixa a cargo de o espectador decidir se os dois realmente ficam juntos.



Para fechar a trilogia- e exatos também nove anos depois- é lançado em 2013 o terceiro filme da série , Antes da Meia Noite (Before Midnight-2013).

Na ânsia de buscar respostas para as nossas perguntas, é novamente com grande expectativa que acompanhamos o desenrolar desse terceiro filme. Como românticos incorrigíveis, torcemos para que Jesse e Celine tenham tido o seu “final feliz”.

De fato os dois estão casados há dez anos, pais de filhas gêmeas, mas novamente a crônica da vida real entra em ação: Como qualquer casal de “verdade”, Jesse e Celine tem as suas crises, os seus desentendimentos e precisam enfrentar as suas verdades.

Como não se identificar com esses dois personagens? Entre um intervalo de um lançamento do filme e do outro- nós espectadores também acumulamos histórias, experiências. Tivemos nossos amores- frustrados ou não- e temos “bagagem”. Não somos tão mais ingênuos como os jovens do primeiro filme. Em algumas ocasiões também não somos mais tão otimistas como os personagens do segundo. Mas no terceiro, que atinge o ápice de um relacionamento real e longo, é que nos identificamos de forma honesta.

Uma trilogia bela e sincera, que nos faz amar ainda mais o Cinema e o poder que ele pode nos causar.

Direção: Richard Linklater
Elenco principal: Ethan Hawke como Jesse e Julie Delpy como Celine.
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Agari atua como financiária, mas sua grande paixão é a sétima arte.
Entre seus projetos futuros, estava a criação de um Blog para falar exclusivamente sobre cinema.
Enquanto isso não acontece, tornou-se colaboradora do Apertei o Play, onde transforma em palavras a fantasia que assiste na grande tela.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Radiohead no Brasil - São Paulo - 2009

Radiohead no Brasil, ou como o tempo parou por 2 horas...

O dia era 22 de março de 2009... Um dia de verão em São Paulo, com temperatura amena na capital paulista.
Sim, foi há quase 6 anos que o Radiohead fez seus primeiros e únicos shows no Brasil.
Além do show em São Paulo, ainda tocaram para um público animado no Rio de Janeiro.
E foi uma longa e muitíssima aguardada espera.



Uma rápida história:

O grupo iniciou suas atividades em 1993. Álbum após álbum a evolução técnica e criativa dos componentes ficou cada dia mais evidente.

Do garage-indie-rock de Pablo Honey, com guitarras sujas e um som ainda pouco elaborado, saíram hits como “Creep” e "You". Depois veio o lirismo de Fake Plastic Trees e High And Dry do álbum The Bends, onde as guitarras ainda estavam presentes, mas mais limpas e acompanhadas de violões e de um clima mais intimista do que no primeiro álbum do grupo.

Em 1997 veio Ok Computer. Para mim e também para muita gente, um divisor de águas. Não só na carreira do grupo, mas na história da música. Letras muitas vezes incômodas, acompanhadas de melodias elaboradas, tornando a construção musical do disco algo complexo, que foi muito além do que se podia esperar de um grupo indie rock lançando apenas seu terceiro álbum.



Em seguida vieram os experimentais Kid A e Amnesiac. E uma das canções mais belas do grupo para esse que vos fala: How to Dissapear Completelely...

No ano de 2005 tivemos o excelente Hail to The Thieh e em 2008 outro álbum de “clássicos”, In Rainbows. Esse último é a prova de como um grupo com mais de 10 anos de carreira (na época), pode (e deve) se reinventar, sem perder a identidade. Fazendo um disco extremamente moderno e musicalmente rico.

Em fevereiro de 2011 tivemos o controverso The King of Limbs. Algo como Kid A e Amnensiac um pouco menos melancólicos, somados a exemplos de “loops” e experimentações eletrônicas, típicas de um álbum solo de Thom Yorke.

Mas foi exatamente na turnê do disco In Rainbows que o grupo passou por aqui.

Em meio à onda de festivais que se instalou no Brasil e não foi mais embora, para alegria de uns e desespero de outros, que preferem ver essa ou aquela banda ao vivo, nos deparamos com o Just a Fest.

A proposta eram 4 atrações no mesmo dia. Inicialmente um DJ, que confesso não ter visto (se é que tocou) em seguida os brasileiros do Los Hermanos. Grupo que aprendi a ouvir e acabei me aprofundando em seu trabalho, apenas em meados do disco “4”.

A terceira atração da noite foram os alemães do Kraftwerk. Para mim, fã do grupo desde o início da adolescência, finalmente vê-los ao vivo foi algo para contar para meus netos. Era algo quase obrigatório para quem teve uma formação musical tão eclética e alternativa como tive. Onde passei do rock nacional dos anos 80, pelo post-punk e gothic rock, navegando ainda pelo EBM e synthpop e onde eles (os alemães) acabaram influenciando não só a música eletrônica moderna, como todos os grupos que resolveram utilizar sintetizadores, baterias eletrônicas e samples em sua música.



O Show...

A cada troca de atração conseguíamos “andar” um pouco mais para o meio do público, conseguindo assim uma boa distância do palco, onde em poucos instantes Thom Yorke e cia fariam sua apresentação.

Acompanhado de minha eterna parceira de passeios e companheira de shows, minha esposa Tatiana (na época ainda namorada), dos amigos Pablo, Nelson, Vivian, André e outros que nos acompanharam na van fretada para o evento, cada um conseguiu um lugar para acompanhar o que viria pela frente.

Luzes apagadas... Gritos na multidão... E o coração já bateu mais forte.

E foi com ruídos e loops eletrônicos que uma de minhas maiores e melhores experiências em shows começou.

Abrindo com 15 Step..., passando por clássicos como Karma Police e canções tristes como Nude, foi em Paranoid Android que tudo se convergiu para um dos momentos mais emocionantes que presenciei até hoje.
Todas as canções, sim, eu disse TODAS as canções foram acompanhadas pelo público. Mas o refrão de Paranoid Android cantado em uníssono com “Rain down... Rain down, come on rain down on me... From a great height, from a great…” emocionou até o mais cético ou frio ser humano presente naquele local.



E não contentes em acompanhar o refrão, quando a música acabou quase que por um instinto coletivo, todos recomeçaram a cantar. A ponto do grupo acompanhar o público por alguns instantes.

Logo em seguida, quase que sem tempo para retomar o fôlego, o grupo emendou Fake Plastic Trees. Para mim, depois disso, o que veio foi apenas um complemento de um êxtase que se estendeu até o fim do show. Onde mesmo Creep, também cantada pelo público a plenos pulmões, acabou não tendo mais o impacto que esperava. Mas isso não foi demérito. Muito pelo contrário. Isso apenas comprovou que esse foi um dos melhores shows que tive o prazer de assistir.

A atmosfera, a iluminação, e a música... Ah... a música...



E aí, de volta para o futuro (ou seria para o presente?) nos encontramos em 2014. Pouco tempo depois do anúncio no novo álbum do grupo, como sempre surgem boatos e uma torcida para um retorno do Radiohead em terra brasilis.

Sem previsão de lançamento por enquanto, o novo álbum deve resultar numa turnê mundial. E como o Brasil entrou definitivamente na rota dos grandes festivais, quem sabe os ingleses resolvam aparecer por aqui e nos dar alguns momentos de boa música.

A nós cabe esperar.

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WILTON B JUNIOR é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Olho Grande e a Volta do Vinil


Feriado aqui na terra da garôa (ou seria terra da secura?), fomos conhecer o "Casarão do Vinil", que pertence a mesma pessoa ou pessoas do Feirão de 1.000.000 de discos, que está fechado.

Minha intenção e esperança, era encontrar alguns bons discos, por preços justos. Mas o que vimos me desagradou profundamente.

Lá, ao contrario do "Feirão" onde todos os discos eram vendidos a 5,00, os valores variam de 9,90 a 29,90. Até aí sem novidades, desde que fosse oferecido algo diferente em relação ao que era vendido por módicos 5 reais.

E aí vem o olho grande pra ganhar dinheiro:

1- Os discos da promoção, que custam 9,90 ficam numa área externa. Sim... Externa. A única proteção do sol e do calor, é uma cobertura improvisada sobre os lugares que estão colocados os LPs

2- Não bastasse isso, assim como não havia no Feirão, lá também não há qualquer ordem ou 
separação mesmo na área interna. Por mais que algumas divisórias mostrem letras, ou denominações como"cantores internacionais", tudo está em todos os lugares.

3- Vimos vários, mas vários discos que pagamos 5,00 semanas ou meses atrás e que agora são vendidos por 29,90. E comprei muitos mesmo em estado de novos nessa época.

4- Com exceção de estarem num local mais limpo e de terem recebido plásticos externos novos, o que por sinal já havia sido feito numa parte do feirão, não ha qualquer diferença nos títulos oferecidos e vi muitos que inclusive eram do setor de "brindes" do feirão.

Ou seja... A "volta do vinil" está fomentando um mercado até então adormecido e crescendo o olho de muitos. E um local que apesar de certa precariedade era legal pela quantidade e pelo valor cobrado, PARA MIM pelo menos, perdeu muito do sentido.

E ao contrário do que fazíamos no Feirão, hoje voltei pra casa sem discos "novos".

Deixa pra próxima...


Ps.: Em breve texto completo sobre essa "volta", com várias dicas do mundo analógico.
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WILTON B JUNIOR é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
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domingo, 16 de novembro de 2014

Resenha: INTERPOL - El Pintor

Interpol é, em MINHA opinião, o grupo americano de indie rock que mais soa e se caracteriza  como os grupos britânicos dessa mesma geração.
Contando com Paul Banks (vocais e guitarra), Daniel Kessler (guitarras) e Sam Fogarino (bateria), o atual trio não lançava um álbum de inéditas desde o homônimo álbum “Interpol” de 2010. Ao contrário dos anteriores, esse último não causou tantos comentários positivos, o que gerou dúvida sobre o que viria pela frente.




O Interpol, assim como outros grupos, bebeu claramente na fonte do post-punk do início dos anos 80. De grupos como Joy Division, Echo & The Bunymen e outros. Até aí, nenhuma novidade. Mas a questão é que eles conseguem juntar a seriedade (e certa melancolia) dessa música, com um toque de britpop, tornando as audições mais (digamos...) fáceis, para fãs de rock mais tradicional.

Outros grupos, como The National (um dos grupos "atuais" que mais me agrada), Editors e The Horrors, de certa maneira se utilizam da mesma fórmula. Hora soturnos, hora melancólicos, mas essa pitada britpop na medida certa, acaba tornando o Interpol um dos mais acessíveis e consequentemente de maior "sucesso".

E depois de um hiato de 4 anos, nos deparamos com “El Pintor”. Título que é um anagrama  com as letras que formam o nome do grupo.
Distribuído nos EUA pela Matador e na Europa pelo selo Soft Limit, teve sua pré-venda iniciada há alguns meses atrás. Disponibilizando inclusive versões em vinil preto, branco, com opções acompanhadas de pôster, camiseta, CD, etc. Passada a pré-venda, ainda foram lançadas versões de luxo em CD, limitada em vinil vermelho e as “normais” em CD e vinil preto.



Mas afinal, como soa o álbum?

É difícil ser imparcial quando falamos de um grupo que gostamos e não somos "críticos profissionais".
Mas com a abertura de “All The Rage Back Home”, que em tradução livre, seria algo como "Toda a Raiva de Volta ao Lar", fica claro a energia que seguirá pelo disco. Vocais contundentes, guitarras claras e as vezes agressivas, bateria competente e uma marcante e pesada linha de baixo. Impossível ficar indiferente à audição.

O álbum foi mixado propositadamente grave em algumas passagens, como em "My Desire" ou "Same Town, New Story", onde a batida grave do bumbo pesa além do que normalmente se faz na hora de mixar.
No geral se trata de uma grande viagem musical, onde nenhuma faixa decepciona e torna fácil repetidas audições.
Destaque para a "All The Rage Back Home", Same Town, New Story", "My Blue Supreme", "Everything is Wrong" e "Ancient Ways". Mas sem nenhum exagero, TODAS as faixas são excelentes e merecem serem ouvidas com calma e em bom volume.



A versão em vinil vermelho (que é a que possuo), tem qualidade irrepreensível, e, apesar de iniciar a primeira faixa com alguns ruídos, ao longo do disco só traz boas surpresas. Além do baixíssimo ruído de fundo, da primeira a última faixa fica evidente o bom trabalho feito na hora da mixagem e na prensagem dessa mídia com características tão particulares.

Para mim, um dos melhores álbuns de rock alternativo de 2014.
Mais do que recomendado.

Quer ver o Interpol ao vivo?
O grupo é atração confirmada no Line Up do Lollapalooza Brasil 2015.
Mais informações:
Site Oficial Lollapalooza Brasil

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WILTON B JUNIOR é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
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domingo, 2 de novembro de 2014

Os 10 discos...

Criei o blog ha algum tempo, de certa forma convencido por minha esposa e minha filha e por uma junção de fatores até hoje (2/11/14) não havia publicado nenhum texto.

Recentemente meu amigo Pablo fez uma lista com os 10 discos mais significativos de sua coleção e convidou a mim e outros amigos para fazermos as nossas.
Aproveitei a oportunidade e ao invés de publicar apenas em redes sociais, resolvi fazer um post diretamente no blog e daí começar a divulgá-lo.

O texto abaixo fala (superficialmente) sobre alguns discos (não necessariamente 10) que de alguma maneira marcaram minha história e mudaram minha vida musical para sempre.



Os discos não estão na ordem exata em que os ouvi, mas todos tiveram importância em minha formação. Seja despertando para um novo estilo, seja para conhecer o trabalho de um grupo específico.

Ótima leitura!

NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA – Ultrage a Rigor (1985) / RADIOATIVIDADE – Blitz (1984)
“Já” com 10 anos de idade, fosse na TV, em programas como Som Pop da TV Cultura, ou mais à frente no Realce da Gazeta, ou ouvindo rádio, já tinha contato com rock que, desde idade muito tenra me chamava a atenção. Mas foi com esses discos que chegaram a mim pelas mãos da minha irmã  mais velha Andréa, que pela primeira vez sentei-me à frente da vitrola com o encarte e letras em mãos e ouvi seguidas e seguidas e seguidas vezes, até decorar todas as músicas.
Resultado: EU GOSTO É DE ROCK!

DOIS – Legião Urbana
À essa altura já tinha algumas fitas cassete com coletâneas que iam de Legião Urbana (1), Titãs, Scorpions (ok, ok... com 11 anos de idade “rock era rock”...) e outras coisas.
Um dia minha irmã Adriana pegou emprestado (para nunca mais devolver) esse LP. E mais uma vez em minha vida parei. Parei, abri o encarte de cor bege encardido, e, música após música, letra após letra, tudo aquilo foi tomando forma na minha cabeça, como quando viajamos lendo um livro.
Hoje, quase 30 anos depois, não consigo ouvir esse disco sem aumentar o volume em músicas como Andréa Dória ou o hit Tempo Perdido. Andréa Dória entraria fácil em meu top 10 das músicas mais marcantes em minha vida até hoje.

OK COMPUTER – Radiohead
Já era fã dos caras. Esse grupo foi daqueles que tive oportunidade de conhecer no primeiro álbum e acompanhar disco a disco as mudanças e a evolução. Mas foi nesse disco aqui que pensei: “Cacete... o lance vai  muito além de um grupo “indie-garage-rock” elaborado.  Paranoid Android, Karma Police, Lucky, Exit Music...
Um divisor de águas e vê-los AO VIVO foi uma das minhas experiências mais marcantes em shows.



THE QUENN IS DEAD – The Smiths
Sim… é o  disco onde os hits estão no lado B. E praticamente em sequencia...
The Boy With The Thorn in His Side, Bigmouth Strikes Again, Theres a Light That Never Goes Out…
Mas foi a terceira faixa do Lado A, que mudou minha concepção sobre a banda. “I know It’s Over” é daquelas canções (como outras já citadas) que até hoje me fazem abrir o volume...
“Oh mother, I can feel... the soil falling over my head...”
É a trilha sonora do fim. E aí, escolha você fim de que…

FIRST AND LAST AND ALWAYS – The Sisters of Mercy
Algumas músicas desse disco faziam parte de um cassete que peguei emprestado na adolescência.
Quando ouvi Andrew Eldritch e sua trupe, mandando músicas como Black Planet, tive um “estalo” e pensei: “É isso... Esse é o som que eu gosto”.
Até hoje toca por aqui e em festas esporádicas onde faça a discotecagem, ainda toco algumas faixas desse álbum.



CLOSER – Joy Division
Joy Division foi o grupo que acabou fazendo sentido para mim mais tardiamente.
Acho que o amadurecimento e os pensamentos cada vez mais incomodados com o "mais do mesmo" em que vivemos, acabou causando essa identificação e ao "reouvir" os álbuns, tudo fez sentido em minha cabeça.
Ouça “Decades”. Não cabem outras explicações...

THE WALL/ DARK SIDE OF THE MOON – Pink Floyd
Pink Floyd é a contradição do meu gosto musical.
Não... não gosto de classic rock, nem tampouco do progressivo dos anos 1970.
Mas esse sem dúvida é uma das exceções e em contrapartida, um dos grupos que mais gosto e admiro.
Ouvir músicas como Confortably Numb, Mother e Time no início da adolescência, me fez aos poucos ir atrás do trabalho do grupo e sua discografia habita lugar cativo em minha coleção.

CHERRY TREE – The National
Em pleno ano de 2013, quando raras coisas atuais me chamavam a atenção, me deparei com Cherry Tree. É a junção de tudo que gosto em música, com direito a um vocal marcante e músicas hora intimistas, hora grandiosas.
Depois desse a coleção só aumenta.

THE SERPENT'S EGG – Dead Can Dance
-Mas Junior… Que estilo toca esse grupo?
-Veja bem...
Esse não da pra rotular. Acho que impactante e emocionante são boas palavras para definir a primeira faixa desse álbum: The Host of Serafin é para ser ouvida em volume alto, em local silencioso e sem interferências externas.
Recomendo também a audição de Into The Labyrinth. Talvez essa seja uma boa maneira de se introduzir na discografia do grupo.

TITLED – Mecano
Anos depois de conhecer grupos de gothic rock, bem como do post-punk como Joy Division, Echo & The Bunnymen, Siouxsie e outros, numa noite na casa noturna Television, acompanhado de alguns amigos, dentre eles Wilians e Nelson, em meio a uma conversa no bar, ouvi Links rolando na pista.
Outra onde não cabem maiores explicações. Se tiver interesse, busque, ouça (alto de preferência) e depois conte o que achou.



SONGS OF FAITH AND DEVOTION – Depeche Mode
Do Technopop dos anos 80, eis que os caras envelheceram um pouco, ficaram mais depressivos e lançaram (para mim), um dos melhores álbuns de sua carreira.
“Canções de Fé e Devoção” tem um pé no rock, com distorções e algumas guitarras sujas em sua construção. Foi um divisor de águas para o grupo, fazendo-os incluir um set de bateria acústica em seus shows, tocada por um de seus ex-integrantes Allan Wilder. Essa atmosfera ajudou o grupo a se consagrar e trouxe mais fãs de rock para sua música.

Para mim, o grupo de música eletrônica com atitude mais rock n roll da música. Rockers, junkies e mais excêntricos que muitos grupos formados por baixo, guitarra e bateria.

INTO THE WILD – Eddie Vedder
Sempre gostei de Pearl Jam, mas nunca fui aquele fã ardoroso.
Um dia, por indicação de amigos, assisti ao filme Into The Wild e fui fisgado pela trilha sonora.
Impossível ficar indiferente a Long Nights logo no início do filme. O que vem depois é “apenas” o complemento do filme. Ou seria o filme complemento da trilha? Enfim...
Itens obrigatórios para quem gosta de MÚSICA e CINEMA.

E você? Quais discos fazem sua cabeça?

Abraços e até a próxima.
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Wilton é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
Divide seu tempo livre entre a família, seus discos de vinil e seu violão.
Escrever é apenas um de seus hobbies. Mas junto com a música, sem dúvida essa é uma das maneiras mais sinceras de dividir com o mundo, o mundo que o habita.