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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Três Anos de Audições: De Audio Technica AT440MLa à Ortofon 2m Black

Depois de muitos anos no hobby (muitos mesmo), finalmente no início de 2013 decidi investir num novo toca-discos.

Naquele momento possuía um Gradiente D35 com cápsula Audio Technica AT-91, que é extremamente simples, mas me atendeu por muito tempo.

Abaixo um pouco da história passada por aqui nos últimos três anos e uma analise subjetiva e TOTALMENTE PESSOAL sobre as cápsulas que pude experimentar em meu sistema:

- Ortofon 2m Blue

O escolhido para essa compra foi um Thorens TD 190-2, que vinha com uma Ortofon OM-10. Ao mesmo tempo aproveitei e importei uma 2M Blue, o que acabou me forçando a praticamente não ouvir a OM-10.

Quando finalmente ambos chegaram, foi uma surpresa.

Naquele momento percebi o quão longe de ouvir meus vinis eu estava.
E de repente o foco do sistema se voltou novamente a eles: Os LPs.


Ainda durante o ano de 2013, com o dólar e a libra em cotações aceitáveis, a coleção foi enriquecendo e vinis novos foram ganhando espaço na estante.

O conjunto Thorens TD 190-2 + 2m Blue foi muito acertado, mas sentia certa limitação do toca discos. Principalmente na parte estrutural.


Pensei em partir para um Audio Technica AT LP240, ou mesmo no recém lançado AT LP1240 e foi nesse último que investi minhas fichas.
Em valores foi um downgrade e ouvi até de alguns amigos que era “loucura” uma troca dessas. Mas queria experimentar e como o AT era um pouco mais barato, não haveria nenhum ou quase nenhum  gasto nessa troca.
Ainda no final de 2013 (mais no menos nessa época do ano) bati o martelo e recebi o AT. 
Incrivelmente tive ganho de performance. Tanto em ritmo como principalmente em silencio de fundo.

- Audio Technica AT440MLa:

Mesmo com a troca do toca-discos, utilizei a 2m Blue por um tempo.
Mas depois de um acidente que acabou resultando na morte prematura da cápsula, durante uma troca de headshell, acabei vendendo apenas a agulha por “preço de banana” e precisava de uma substituta.
No lugar dela entrou a AT440MLa.

Apesar da 2m Blue ter um timbre extremamente musical e excelente grave, a trilhagem, principalmente nas últimas faixas não era o ideal e foi aí que a AT acabou se destacando.
A AT é uma cápsula com mais extremos, o que pra alguns usuários e sistemas pode não agradar tanto. Mas a quantidade de detalhes que ela reproduz impressiona.
Poderia dizer que PARA MIM a Blue é mais musical e a AT é mais analítica.

- Audio Technica AT150MLx

Como o resultado com a 440MLa foi excelente e o casamento entre ela e o braço do AT LP1240 também foi muito bom, a tendência natural para um upgrade era a AT150MLx.

Trata-se de uma cápsula cara. Realmente de outro patamar. Mas queria experimentar e aproveitando a viagem de um amigo à Europa, fiz a compra aqui do Brasil com entrega na Alemanha e essa veio na bagagem.

O ponto nesse upgrade é: Essa cápsula custa mais que o dobro da irmã menor. Não, apesar de algumas coisas não serem mensuráveis, ela não "toca o dobro" da 440, mas a superioridade é evidente.
Todas as qualidades da 440 estão lá, acrescidas de maior resolução, maior quantidade de detalhes e uma trilhagem ainda melhor.

Já li muitas vezes que “quanto melhor a cápsula, mais exigente ela é com as gravações”. Bem... Parece que se esqueceram de contar isso pra 150MLx.

Um conhecido de um dos fóruns que frequento já havia levantado essa questão tempos atrás e pude comprovar isso na prática. Ela consegue ao mesmo tempo tocar divinamente gravações que considero excelentes, mas faz ressurgir discos que evitava tocar devido a baixa qualidade e ou estado de conservação mais questionável.
Não sei de onde ela consegue tirar tantos detalhes, mas consegue.

Para muitos pode ser a cápsula definitiva e realmente pensei que seria a minha por muito tempo.
Até que...

- Ortofon 2m Black

Achei realmente que meu sistema analógico estava definido por uns bons anos. Mas pesquisa daqui, junta umas moedas dali, faz umas cotações acolá e eis que decidi trocar de toca-discos.

Coloquei tudo à venda e contrariando as expectativas, as cápsulas e headshell’s acabaram indo embora antes do toca-discos.
Mesmo assim fui em frente e bati o martelo nessa compra, e, para minha surpresa, o escolhido não estava mais em estoque em meu distribuidor e nas fontes que consegui pagaria muito mais caro nessa aquisição.

E aí me vi na seguinte situação:
Com um ótimo toca-discos no rack, um monte de discos pra ouvir e sem nenhuma cápsula pra usar.

Decidi que era melhor dar um tempo nessa troca e precisava novamente de uma cápsula.
A Ortofon 2m Black foi a escolhida.

Mas por que a Black?
Por que assim como a 2m Bronze, a Black era uma que considerava como possível parceira para o novo toca-discos; Por que ao lado da 150MLx é uma das melhores MMs do mercado;  E por que nutria grande simpatia pela 2m Blue e entendia que “não teria como” não tocar bem.


Recebida a cápsula, chegou a hora de colocar pra tocar.
Feitos os ajustes no toca-discos, vamos para o primeiro LP.
A primeira sensação e impressão foi que faltava algo. E realmente faltava!


Ela é uma cápsula mais “flat” do que a 150MLx. Não tem extremos tão acentuados. Tudo é mais natural. E o que causou certo incômodo no início, tornou-se seu grande trunfo ao longo das audições e do amaciamento que veio pela frente.


Todas as informações de antes estão lá.
A região média aparece mais e com ela traz uma infinidade de detalhes que antes não eram tão claros. Não que as médias sejam desiquilibradas. Longe disso! Mas como todas as frequências são equivalentes, essa que não era tão evidente até o momento, agora aparece com muito mais naturalidade.

Sem dúvida foi um upgrade, mas com ele trouxe uma questão: Aquela facilidade de tocar “qualquer disco” que a AT150MLx tem, a 2m Black não tem.
Em boas prensagens o resultado é impressionante.
A reprodução é superior, mais precisa e ainda mais musical do que na 150. Da pra ficar horas e horas ouvindo música, levantando do sofá apenas para trocar os discos. Já com aquelas prensagens mais sofríveis, a cápsula é implacável e não deixa dúvida do que ela está mostrando.

Conclusão:

Durante esses últimos 3 anos, pude testar, mesmo que rapidamente, outras cápsulas: Passaram por aqui Shure M97, Numark NS e Leson Axxis. Mas nenhuma delas com resultados como com as citadas acima.

Se fosse falar em custo x benefício, acredito que AT440MLa (agora 440MLb) e 2m Blue sejam alguns dos melhores do mercado.
Tocam muito bem, cada uma com suas características e normalmente custam a mesma coisa fora do Brasil. Em torno de $200/$220.

A partir daí a brincadeira começa a ficar cara e exige mais também do sistema.
Um bom pré de phono, um amplificador integrado (ou pré + amplificador), bons cabos e boas caixas, fazem toda a diferença no resultado final.

A AT150MLx pode ser a cápsula definitiva para uma grande parcela dos usuários. Não é barata, mas toca muito. Quando se está com ela, é difícil ouvir algo inferior.

A 2m Black leva tudo para outro nível. Ela, assim como a 150MLx, não são cápsulas para se utilizar com pré de phono “built in”.
Exige MUITO do sistema e também das gravações. Mas o sorriso no rosto é automático quando as premissas desse nível de exigência são cumpridas.


É cara, mas vale cada centavo pra quem busca algo mais do sistema.

Claro que tudo isso se trata da minha opinião pessoal. Opinião formada ao longo de algumas décadas de hobby e de alguns anos de investimento em pesquisa, testes e audições feitas em meu próprio sistema e em vários outros.

Agora é esperar a virada do ano e começar tudo outra vez...

Grande abraço a todos.


Todo o conteúdo © 2015 Wilton B. Junior - Direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização.

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WILTON é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
Divide seu tempo livre entre a família, seus discos de vinil e seu violão.
Escrever é um de seus hobbies. Mas junto com a música, sem dúvida essa é uma das maneiras mais sinceras de dividir com o mundo, o mundo que o habita.

sábado, 17 de outubro de 2015

De Joy Division a New Order. Apresentando: Music Complete

Não há como falar sobre New Order, sem citar o início como o icônico grupo Joy Division.

Mesmo que em 2015 o grupo soe muito diferente do que era na segunda metade dos anos 1970, é nítida a dose de melancolia e carga emocional que acompanha suas letras e melodias, mesmo quase 40 anos depois.

Desde seu início incerto em 1976, onde o vocalista e letrista Ian Curtis demonstrava elevado grau de inquietação e incômodo com o mundo que o cercava, acompanhado de mudanças drásticas de comportamento, que acabaram gerando álbuns cultuados até hoje, ficava evidente que aqueles quatro jovens de Manchester não passariam desapercebidos pela cena musical e cultural dos anos que viriam a seguir.


Com a prematura morte do vocalista e figura central Ian Curtis em 18 de maio de 1980, pouco antes de embarcaram para os EUA em sua primeira turnê pela América do Norte, ficou a dúvida: O que fazer a partir desse ponto?

Ao invés de apenas se lamentarem, decidiram seguir em frente.

E foi assim que surgiu o New Order.
Com a mudança do nome e na proposta sonora do grupo, apesar do primeiro álbum Movement ainda soar muito próximo ao que se ouvia com o Joy Division, o que viria pela frente flertava muito claramente com música eletrônica e com a dance music dos anos 1980.
Ganhando reforço nos teclados e sintetizadores com a entrada de Gillian Gilbert, à época namorada do baterista Stephen Morris, ao lado de Peter Hook e Bernard Summer o New Order se tornou um dos maiores e mais duradouros grupos da história da música moderna. 

Álbum após álbum, o grupo foi emplacando hits. Canções como Bizarre Love Triangle, Blue Monday e True Faith, tocaram incessantemente nas rádios e pistas de dança ao redor do mundo.
Apesar de "dançantes", certa tristeza e melancolia permanecia na base das composições do grupo.

Desde "Waiting for the Siren's Call" de 2005, o grupo não lançava um álbum com material novo.
Em 2013 foi lançado "The Lost Sirens", com sobras de estúdio do álbum anterior. Apesar de contar com a excelente I'll Stay With You, não se tratava de material novo e ficava no ar o que aconteceria com a banda.

Depois da saída de Peter Hook, seu icônico baixista, em 2007, depois de desentendimentos com Bernard Summer, o grupo chega em 2015 com uma nova formação.

Contando com Bernard Summer, Stephen Morris, Gillian Gilbert o grupo hoje possui os reforços do guitarrista Phill Cunningham e de Tom Chapman substituindo Hook no baixo.



25 de setembro de 2015 marca o lançamento de Music Complete.
Seguindo a tendencia atual, o álbum foi lançado em mídia física, Vinil e CD, arquivo digital e disponibilizado em serviços de streaming, como Spotify e iTunes.
Recebe também edições limitadas e de luxo, como vinil duplo e transparente e box contendo o álbum + 8 singles em vinil 12" coloridos.

Restless, cancão que abre o álbum mistura todos os elementos que fizeram o New Order o grupo de sucesso que é até hoje. Pitadas de rock alternativo, guitarras na medida, violões e teclados desenham uma melodia inspirada, que após a primeira audição, já faz o ouvinte cantar junto o refrão.

Singularity, segunda faixa do álbum, foi executada na última visita do grupo ao Brasil, no festival Lollapalooza de 2014. Apesar da introdução com claras referências à sonoridade dos tempo de Joy Division, passados os primeiros segundos o que vem pela frente é um mix de acid house e inspirações de grupos como Kraftwerk.

O que vemos no decorrer do álbum, é o equilíbrio do melhor que o New Order fez com música eletrônica, sem deixar de lado o rock, mas com guitarras um pouco mais tímidas do que nos últimos trabalhos.

Vale destaque para a faixa Academic, uma das melhores, mais belas e inspiradas faixas do disco. Daquelas pra ouvir alto repetidas vezes.

Com participações de Brandon Flowers (The Killers), La Roux e Iggy Pop, Music Complete é um disco ultra moderno, mas não perde a essência do que foi um dia o quarteto de Manchester.
A música é muitas vezes dançante, mas aquela melancolia intrínseca das canções, no final só torna tudo mais belo e prazeroso a cada audição.

Para esse que vos fala, um retorno mais do que digno, para um dos grupos mais emblemáticos da história da música inglesa.
Sem dúvida um dos melhores trabalhos musicais de 2015.



Todo o conteúdo © 2015 Wilton B. Junior - Direitos reservados.
Proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização.

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WILTON é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
Divide seu tempo livre entre a família, seus discos de vinil e seu violão.
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domingo, 15 de março de 2015

A História por trás da canção: Beatles - Revolution

Beatles

 A História por trás da canção: Revolution

por Lino Guedes


Finalizei o meu último artigo sobre a história por trás da canção dos  Beatles falando sobre revolução.  Uma das músicas mais  conhecidas do quarteto de Liverpool, lançada em agosto de 1968, como single do lado B de Hey Jude, é Revolution, escrita por John Lennon e assinada por Lennon e McCartney (versão mais rápida que a produzida seis semanas antes para o álbum Branco) .

Revolução e Beatles cabem perfeitamente em uma mesma frase. Sem nenhuma dúvida, a banda foi precursora de várias delas. Mas antes de contar um pouco sobre a história por trás dessa canção  vou contextualizar a época do seu lançamento.



A década de 1960 foi marcada por inúmeras revoluções, tanto no campo cultural quanto no ideológico.
Jovens comandaram mudanças no teatro, literatura, música, cinema e artes plásticas, num movmento que ficou conhecido como contracultura.  Mobilizaram-se, com espirito libertário, contra uma forma de vida mais conservadora que marcara a década anterior. Foi nessa época que eclodiu a música de protesto, liderada por um jovem cantor: Bob Dylan.

A contestação que abalou a cultura chegou também em outros setores da sociedade, como os protestos, principalmente nos EUA,  em favor da igualdade de direitos civís dos negros, o assassinato de Martin Luther King, a Guerra do Vietnã e entre outros países onde jovens se rebeleram contra o status quo.  Como por exemplo, a revolta estudantil de Paris e, a mais famosa delas, a Primavera de Praga,  que pedia e liberalização da então Tchecoslováquia, contra  a dominação da União Soviética, ocorrida em 1968.

E sob toda essa efervescência  que nasce  Revolution.  A música foi apresentada a McCartney que não a considerou comercial o suficiente.  Para ele, soava mais como uma resposta de Lennon a grupos revolucionários ligados à idelogia de Lênin, Trótsky, entre outros da esquerda que cobravam do Beatle um  engajamento a suas causas, porque John era sem dúvida o mais politizado do quarteto e a voz de uma geração.

Mas para Lennon, um pacifista,  a verdadeira revolução  passava longe de se pegar em armas. Seu discurso revolucionário sempre pregou contra qualquer tipo de violência.  Entretanto, essa postura trouxe-lhe muita dor de cabeça e críticas. Um fã, o estudante John Hoyland, chegou a cobrá-lo em uma carta aberta, em uma revista, que dizia que a música Revolution não tinha nada de revolucionária e  que deveria rever seus conceitos porque a verdeira revolução só seria possível  depois de entender o que há de errado com o mundo  para depois  destruí-lo, impiedosamente.

Em resposta a Hoyland,  disse que ele estava em um movimento de destruição. John Lennon afirmou que não se lembrava ter dito que Revolution era revolucionária. Não acreditava que para mudar o mundo pracisávamos destruir o que estava errado. “Vou dizer o que está errado com ele (o mundo): as pessoas. Então você quer destruí-las? Impiedosamente? Até que você/nós  mude/mudemos a sua/nossa cabeça,  não há nenhuma chance.  Cite uma revolução bem sucedida. Quem fodeu  o comunismo, cristianismo, o budismo, etc?  Cabeças doentes, nada mais. Você acha que todos os inimigos usam um distintivo do capitalismo para que você possa atirar neles?”, retrucou Lennon.

John Lennon não acreditava que a mudança passava pela destruição do sistema. Já que nenhuma havia vingado até então. Passava por mudança de mentalidade das pessoas. Sustentou essa visão até 1980, ano de sua morte, quando voltou a citar Revolution como uma expressão política.  Acrescentou:  ”não contem comigo se for para a violência. Não esperem me ver nas barricadas, a não ser que seja com flores”.



domingo, 8 de fevereiro de 2015

A vida a dois em shows.

Sempre tive certa “dependência musical”.
Desde que me conheço por gente, tenho a sensação de que embutido em minha cabeça existe um rádio. Rádio esse que vai trocando de estações conforme meu humor, ou muitas vezes por influência de algo que ouvi ao longo do dia.

Conforme os anos foram passando, essa dependência era tão grande que tinha a sensação de que acabaria trabalhando e ganhando a vida com música. Fosse tocando, compondo, produzindo artistas, ou quem sabe no rádio ou na TV. Mas por motivos que nem eu mesmo saberia explicar e que todos de certa maneira acabam lidando em suas vidas, fui trabalhar numa área nada artística, tampouco ligada à música.

No final da adolescência, depois de me aventurar "fazendo o som" em várias festinhas da turma,  consegui um emprego como sonoplasta num Karaokê, o que acabou me levando a atuar também como DJ esporadicamente. Coisa que até hoje em algumas ocasiões acabo fazendo e que mesmo sem obter qualquer retorno financeiro, faço com muito gosto e acaba sendo uma terapia.

Com instrumentos musicais a coisa foi um pouco diferente. Por uma junção de preguiça e excesso de outros afazeres, só fui me dedicar a aprender mais do que 3 acordes no violão depois de adulto e pai. Acho que aquele “Sol Maior”, “Mi Menor” e “Ré” me acompanharam desde sempre quando colocava as mãos em um violão. Mas foi depois dos 30 que a coisa mudou e consegui transformar em música (e isso é assunto para outro post), as melodias e inquietudes que habitavam minha mente.


Os shows:

Mas o que seria de todo esse amor pela música, somado ainda ao gosto por equipamentos de áudio, se nunca pudesse ver meus artistas preferidos ao vivo?
Fui a uma quantidade razoável de shows e dentre eles vi muitos artistas que ouvia desde muito novo e que, além de nunca virem para o Brasil, quando o faziam, muitas vezes a grana era curta para gastar com “isso”.
De uns anos pra cá, com a situação financeira “um pouquinho” melhor (ou seria um pouquinho menos pior? Enfim...), pude ver ótimas apresentações. E a meu lado sempre tive uma companheira.
Daí o título do texto...



Ela, que se chama Tatiana, é a mulher que me escolheu pra ter a seu lado (sim, até porque inocente é o homem que acredita que escolhe alguma coisa nesses assuntos), acabou virando minha parceira de passeios muitas vezes a locais inóspitos na capital paulista e também virou minha companheira de shows.

Não estou bem certo disso, mas foram muitos e se não me engano o primeiro deles foi no festival que reuniu Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead no Brasil. Show que por sinal falei a respeito nesse POST há certo tempo.

Eddie Vedder - Pearl Jam em São Paulo


Em nosso currículo podemos citar: Agua de Anique, Ludov, Los Hermanos, Radiohead, Kraftwerk, Depeche Mode (em Buenos Aires), Pearl Jam, Bon Jovi (ok, ok... Culpado. Eu vi Bon Jovi ao vivo.), U2, Morrissey, entre outros.

Sempre brincamos que nossa história vem acompanhada de uma trilha sonora e não é exagero afirmar isso. Pois além dos shows, conforme a época, “adotamos” determinado artista para essa função. E artistas como Damien Rice, Swell Season e Eddie Vedder, já foram tocados seguidas e seguidas vezes em nosso “som”.



U2 - São Paulo

Acredito que para quem gosta de música, seja em que nível for, assistir seus artistas preferidos ao vivo sempre é uma experiência reveladora. Seja pra mostrar o quão mecânico e ensaiado pode ser um show, ou a exemplo de grupos como Pearl Jam, como alguns artistas podem ser tão humildes e mesmo assim transformarem um show num grande espetáculo.

Qual será nosso próximo show?

Em breve descobriremos...


Depeche Mode - Buenos Aires

Radiohead - São Paulo

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Wilton é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
Divide seu tempo livre entre a família, seus discos de vinil e seu violão.
Escrever é apenas um de seus hobbies. Mas junto com a música, sem dúvida essa é uma das maneiras mais sinceras de dividir com o mundo, o mundo que o habita.

domingo, 11 de janeiro de 2015

The Smiths - "A Light That Never Goes Out" - A Biografia

por Pablo Rezende

Após mais uma birra de Morrissey, Johnny Marr , guitarrista do The Smiths, diz ao empresário Ken Friedman “É isso, Ken. A banda acabou”.

Com essas palavras ele deixou claro que não estava mais interessado em dar continuidade ao grupo. O fim oficial aconteceu algumas semanas depois.

A história do The Smiths já é conhecida do grande público: guitarrista talentoso e criativo bate à porta de letrista tímido e excêntrico para comporem canções em formato pop. Após alguns discos de sucesso, a banda chega ao fim.


“The Smiths: A light that never goes out – A Biografia”, lançada no Brasil em 2013, de autoria de Tony Fletcher, tem como função detalhar os fatos que fizeram dos Smiths uma das bandas mais importantes do rock. Eles construíram uma carreira de sucessos originais, encerraram suas atividades no seu auge e hoje são considerados um dos grupos mais influentes no cenário pop rock.

No decorrer da leitura percebemos claramente que o controle criativo/empresarial/orçamentário do The Smiths era formado por Marr/Morrissey. Andy Rourke e Mike Joyce são apenas coadjuvantes. 

O sucesso chega rápido, mas as primeiras tensões surgem logo após as primeiras decisões contratuais. No decorrer dos anos essas questões vão ficando cada vez mais mal administradas pela banda, ou melhor, por Johnny Marr e Morrissey, gerando enorme pressão, estafa e conflitos de convívio. Tudo isso somado ao comportamento excêntrico de Morrissey, levam o guitarrista a tomar a decisão de sair da banda.


Vale a pena?
Se você não é adepto de leitura, a obra exigirá da sua vontade. Ela é constituída de 629 páginas e as coisas só começam a esquentar lá pela número 280, quando surgem Morrissey e Marr, ainda como adolescentes fãs de rock e música pop. A primeira metade do livro, em sua maioria, apresenta um contexto histórico e social de Manchester - cidade natal do grupo – e também mostra a história das famílias dos principais compositores da banda.

O livro fornece muita informação para que possamos compreender a banda de forma mais profunda. No entanto, em minha opinião, 629 páginas é um exagero. Todo o contexto histórico/social, que ocupa a primeira metade da obra, poderia ter sido apresentado em 50, 60 páginas.
O texto teria ficado mais dinâmico sem deixar fatos importantes de fora.









sábado, 3 de janeiro de 2015

The Beatles – All You Need Is Love

A História Por Trás da Canção

por Lino Guedes

A convite do blogueiro Wilton Jr para escrever algumas linhas neste seu espaço dedicado à cultura em geral  e à tecnologia, divido com vocês um pouco sobre uma das minhas paixões: The Beatles!



Sei que alguns vão torcer o nariz, afinal, se os quatro rapazes de Liverpool têm multidões de fãs ao redor do mundo, também colecionam desafetos aqui e acolá. Porém, independentemente de  ser ou não fã deles, o que ninguém pode negar é a grande contribuição que os Beatles deram à música, aos  costumes e à cultura em geral, influenciando não só sua geração, como também, as seguintes.

Mas vamos lá. Um projeto que já tinha em mente há algum tempo era de escrever sobre a história por trás de cada música composta pelo fab four. Parafreaseando aquele tema, músicas dos Beatles que se devem ouvir e entender antes de morrer.

Claro que há um farto material a respeito, entretanto, talvez, o que não chega à grande maioria é a inspiração de cada letra, cada arranjo produzido, em sua maioria, pela dupla Lennon-McCartney que mesmo sendo composta por um ou por outro, eram sempre assinadas por ambos.



Não pretendo fazer uma relação cronológica e nem tão pouco  determinar quantas virão neste espaço e se serão mais ou menos conhecidas do grande público. Guiar-me-ei única e exclusivamente  pela música que me inspira em determinado momento.  E olha que são muitas.
Sendo assim,  vou começar falando de um dos seus maiores sucessos: All You Need Is Love. Talvez movido pela clima que marca esta época do ano,  esta canção seja a fonte inspiradora deste meu primeiro texto.

Era verão de 1967 no hemisfério norte e a tevê britânica BBC estava produzindo um especial, Our World, que inauguraria a primeira transmissão ao vivo via satélite para os cinco continentes. Claro que a banda mais famosa do mundo não poderia ficar de fora desse grande evento que marcaria de forma definitiva as telecomunicações. Convite feito. Convite aceito.

Os produtores do programa só fizeram uma ressalva: que fosse um tema que todos os povos entendessem.  E,  sem dúvida, o amor tem linguagem universal e a música foi escolhida de uma forma natural.

All You Need Is Love foi composta por John Lennon e mesmo sendo simples de letra e melodia refletia perfeitamente o espirito do contexto dequela época  onde jovens, não só dos Estados Unidos, como de todo o mundo, iam às ruas em protesto, entre outros temas ,  contra a guerra do Vietnã.

Como disse à época, o famoso empresário dos Beatles, Brian Epstein,  “Era uma canção inspirada e eles realmente queriam transmitir uma mensagem ao mundo. O bom dela é que não tem como ser mal interpretada. É uma mensagem clara dizendo que o amor é tudo”. Lançada em single, All You Need Is love, logo chegou ao topo das paradas norte-americanas e britânicas e se tornou o hino de amor daquele verão. “Então tinhamos uma mensagem para o mundo: amor. Precisamos de mais amor no mundo”. Contou, Paul.



Todos os quase 400 milhões de espectadores ao redor do mundo que assistiram ao Our World no dia 25 de junho de 1967, e na plateia convidados ilustres e entre eles, Mick Jagger e Eric Clapton, puderam acompanhar, no mais famoso estúdio da história, o Abbey Road,  um clima de festa com balões e cartazes e cuja música foi aberta, pelo produtor musical e mastro, George Martin (para muitos o quinto beatle),  com compassos de “La Marseillase” (hino francês) que nos remete ao melhor espirito revolucionário de liberdade, igualdade e fraternidade. Aliás,  no que diz respeito à revolução os Beatles foram a mola propulsora de muitas delas. Revolução? Acho que já tenho o tema  do meu próximo texto!



Lino Guedes além de amigo, se tornou o mais novo colaborador do "Apertei o Play".
Agora é esperar o próximo texto do cara, que com certeza nos brindará com informação e entretenimento de qualidade.

Até a próxima!