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domingo, 15 de março de 2015

A História por trás da canção: Beatles - Revolution

Beatles

 A História por trás da canção: Revolution

por Lino Guedes


Finalizei o meu último artigo sobre a história por trás da canção dos  Beatles falando sobre revolução.  Uma das músicas mais  conhecidas do quarteto de Liverpool, lançada em agosto de 1968, como single do lado B de Hey Jude, é Revolution, escrita por John Lennon e assinada por Lennon e McCartney (versão mais rápida que a produzida seis semanas antes para o álbum Branco) .

Revolução e Beatles cabem perfeitamente em uma mesma frase. Sem nenhuma dúvida, a banda foi precursora de várias delas. Mas antes de contar um pouco sobre a história por trás dessa canção  vou contextualizar a época do seu lançamento.



A década de 1960 foi marcada por inúmeras revoluções, tanto no campo cultural quanto no ideológico.
Jovens comandaram mudanças no teatro, literatura, música, cinema e artes plásticas, num movmento que ficou conhecido como contracultura.  Mobilizaram-se, com espirito libertário, contra uma forma de vida mais conservadora que marcara a década anterior. Foi nessa época que eclodiu a música de protesto, liderada por um jovem cantor: Bob Dylan.

A contestação que abalou a cultura chegou também em outros setores da sociedade, como os protestos, principalmente nos EUA,  em favor da igualdade de direitos civís dos negros, o assassinato de Martin Luther King, a Guerra do Vietnã e entre outros países onde jovens se rebeleram contra o status quo.  Como por exemplo, a revolta estudantil de Paris e, a mais famosa delas, a Primavera de Praga,  que pedia e liberalização da então Tchecoslováquia, contra  a dominação da União Soviética, ocorrida em 1968.

E sob toda essa efervescência  que nasce  Revolution.  A música foi apresentada a McCartney que não a considerou comercial o suficiente.  Para ele, soava mais como uma resposta de Lennon a grupos revolucionários ligados à idelogia de Lênin, Trótsky, entre outros da esquerda que cobravam do Beatle um  engajamento a suas causas, porque John era sem dúvida o mais politizado do quarteto e a voz de uma geração.

Mas para Lennon, um pacifista,  a verdadeira revolução  passava longe de se pegar em armas. Seu discurso revolucionário sempre pregou contra qualquer tipo de violência.  Entretanto, essa postura trouxe-lhe muita dor de cabeça e críticas. Um fã, o estudante John Hoyland, chegou a cobrá-lo em uma carta aberta, em uma revista, que dizia que a música Revolution não tinha nada de revolucionária e  que deveria rever seus conceitos porque a verdeira revolução só seria possível  depois de entender o que há de errado com o mundo  para depois  destruí-lo, impiedosamente.

Em resposta a Hoyland,  disse que ele estava em um movimento de destruição. John Lennon afirmou que não se lembrava ter dito que Revolution era revolucionária. Não acreditava que para mudar o mundo pracisávamos destruir o que estava errado. “Vou dizer o que está errado com ele (o mundo): as pessoas. Então você quer destruí-las? Impiedosamente? Até que você/nós  mude/mudemos a sua/nossa cabeça,  não há nenhuma chance.  Cite uma revolução bem sucedida. Quem fodeu  o comunismo, cristianismo, o budismo, etc?  Cabeças doentes, nada mais. Você acha que todos os inimigos usam um distintivo do capitalismo para que você possa atirar neles?”, retrucou Lennon.

John Lennon não acreditava que a mudança passava pela destruição do sistema. Já que nenhuma havia vingado até então. Passava por mudança de mentalidade das pessoas. Sustentou essa visão até 1980, ano de sua morte, quando voltou a citar Revolution como uma expressão política.  Acrescentou:  ”não contem comigo se for para a violência. Não esperem me ver nas barricadas, a não ser que seja com flores”.



2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Muito bom o post. Lennon sempre tinha algo a dizer...parabéns.

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