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sábado, 17 de outubro de 2015

De Joy Division a New Order. Apresentando: Music Complete

Não há como falar sobre New Order, sem citar o início como o icônico grupo Joy Division.

Mesmo que em 2015 o grupo soe muito diferente do que era na segunda metade dos anos 1970, é nítida a dose de melancolia e carga emocional que acompanha suas letras e melodias, mesmo quase 40 anos depois.

Desde seu início incerto em 1976, onde o vocalista e letrista Ian Curtis demonstrava elevado grau de inquietação e incômodo com o mundo que o cercava, acompanhado de mudanças drásticas de comportamento, que acabaram gerando álbuns cultuados até hoje, ficava evidente que aqueles quatro jovens de Manchester não passariam desapercebidos pela cena musical e cultural dos anos que viriam a seguir.


Com a prematura morte do vocalista e figura central Ian Curtis em 18 de maio de 1980, pouco antes de embarcaram para os EUA em sua primeira turnê pela América do Norte, ficou a dúvida: O que fazer a partir desse ponto?

Ao invés de apenas se lamentarem, decidiram seguir em frente.

E foi assim que surgiu o New Order.
Com a mudança do nome e na proposta sonora do grupo, apesar do primeiro álbum Movement ainda soar muito próximo ao que se ouvia com o Joy Division, o que viria pela frente flertava muito claramente com música eletrônica e com a dance music dos anos 1980.
Ganhando reforço nos teclados e sintetizadores com a entrada de Gillian Gilbert, à época namorada do baterista Stephen Morris, ao lado de Peter Hook e Bernard Summer o New Order se tornou um dos maiores e mais duradouros grupos da história da música moderna. 

Álbum após álbum, o grupo foi emplacando hits. Canções como Bizarre Love Triangle, Blue Monday e True Faith, tocaram incessantemente nas rádios e pistas de dança ao redor do mundo.
Apesar de "dançantes", certa tristeza e melancolia permanecia na base das composições do grupo.

Desde "Waiting for the Siren's Call" de 2005, o grupo não lançava um álbum com material novo.
Em 2013 foi lançado "The Lost Sirens", com sobras de estúdio do álbum anterior. Apesar de contar com a excelente I'll Stay With You, não se tratava de material novo e ficava no ar o que aconteceria com a banda.

Depois da saída de Peter Hook, seu icônico baixista, em 2007, depois de desentendimentos com Bernard Summer, o grupo chega em 2015 com uma nova formação.

Contando com Bernard Summer, Stephen Morris, Gillian Gilbert o grupo hoje possui os reforços do guitarrista Phill Cunningham e de Tom Chapman substituindo Hook no baixo.



25 de setembro de 2015 marca o lançamento de Music Complete.
Seguindo a tendencia atual, o álbum foi lançado em mídia física, Vinil e CD, arquivo digital e disponibilizado em serviços de streaming, como Spotify e iTunes.
Recebe também edições limitadas e de luxo, como vinil duplo e transparente e box contendo o álbum + 8 singles em vinil 12" coloridos.

Restless, cancão que abre o álbum mistura todos os elementos que fizeram o New Order o grupo de sucesso que é até hoje. Pitadas de rock alternativo, guitarras na medida, violões e teclados desenham uma melodia inspirada, que após a primeira audição, já faz o ouvinte cantar junto o refrão.

Singularity, segunda faixa do álbum, foi executada na última visita do grupo ao Brasil, no festival Lollapalooza de 2014. Apesar da introdução com claras referências à sonoridade dos tempo de Joy Division, passados os primeiros segundos o que vem pela frente é um mix de acid house e inspirações de grupos como Kraftwerk.

O que vemos no decorrer do álbum, é o equilíbrio do melhor que o New Order fez com música eletrônica, sem deixar de lado o rock, mas com guitarras um pouco mais tímidas do que nos últimos trabalhos.

Vale destaque para a faixa Academic, uma das melhores, mais belas e inspiradas faixas do disco. Daquelas pra ouvir alto repetidas vezes.

Com participações de Brandon Flowers (The Killers), La Roux e Iggy Pop, Music Complete é um disco ultra moderno, mas não perde a essência do que foi um dia o quarteto de Manchester.
A música é muitas vezes dançante, mas aquela melancolia intrínseca das canções, no final só torna tudo mais belo e prazeroso a cada audição.

Para esse que vos fala, um retorno mais do que digno, para um dos grupos mais emblemáticos da história da música inglesa.
Sem dúvida um dos melhores trabalhos musicais de 2015.



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WILTON é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
Divide seu tempo livre entre a família, seus discos de vinil e seu violão.
Escrever é um de seus hobbies. Mas junto com a música, sem dúvida essa é uma das maneiras mais sinceras de dividir com o mundo, o mundo que o habita.