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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Olho Grande e a Volta do Vinil


Feriado aqui na terra da garôa (ou seria terra da secura?), fomos conhecer o "Casarão do Vinil", que pertence a mesma pessoa ou pessoas do Feirão de 1.000.000 de discos, que está fechado.

Minha intenção e esperança, era encontrar alguns bons discos, por preços justos. Mas o que vimos me desagradou profundamente.

Lá, ao contrario do "Feirão" onde todos os discos eram vendidos a 5,00, os valores variam de 9,90 a 29,90. Até aí sem novidades, desde que fosse oferecido algo diferente em relação ao que era vendido por módicos 5 reais.

E aí vem o olho grande pra ganhar dinheiro:

1- Os discos da promoção, que custam 9,90 ficam numa área externa. Sim... Externa. A única proteção do sol e do calor, é uma cobertura improvisada sobre os lugares que estão colocados os LPs

2- Não bastasse isso, assim como não havia no Feirão, lá também não há qualquer ordem ou 
separação mesmo na área interna. Por mais que algumas divisórias mostrem letras, ou denominações como"cantores internacionais", tudo está em todos os lugares.

3- Vimos vários, mas vários discos que pagamos 5,00 semanas ou meses atrás e que agora são vendidos por 29,90. E comprei muitos mesmo em estado de novos nessa época.

4- Com exceção de estarem num local mais limpo e de terem recebido plásticos externos novos, o que por sinal já havia sido feito numa parte do feirão, não ha qualquer diferença nos títulos oferecidos e vi muitos que inclusive eram do setor de "brindes" do feirão.

Ou seja... A "volta do vinil" está fomentando um mercado até então adormecido e crescendo o olho de muitos. E um local que apesar de certa precariedade era legal pela quantidade e pelo valor cobrado, PARA MIM pelo menos, perdeu muito do sentido.

E ao contrário do que fazíamos no Feirão, hoje voltei pra casa sem discos "novos".

Deixa pra próxima...


Ps.: Em breve texto completo sobre essa "volta", com várias dicas do mundo analógico.
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WILTON B JUNIOR é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
Divide seu tempo livre entre a família, seus discos de vinil e seu violão.
Escrever é apenas um de seus hobbies. Mas junto com a música, sem dúvida essa é uma das maneiras mais sinceras de dividir com o mundo, o mundo que o habita.

domingo, 16 de novembro de 2014

Resenha: INTERPOL - El Pintor

Interpol é, em MINHA opinião, o grupo americano de indie rock que mais soa e se caracteriza  como os grupos britânicos dessa mesma geração.
Contando com Paul Banks (vocais e guitarra), Daniel Kessler (guitarras) e Sam Fogarino (bateria), o atual trio não lançava um álbum de inéditas desde o homônimo álbum “Interpol” de 2010. Ao contrário dos anteriores, esse último não causou tantos comentários positivos, o que gerou dúvida sobre o que viria pela frente.




O Interpol, assim como outros grupos, bebeu claramente na fonte do post-punk do início dos anos 80. De grupos como Joy Division, Echo & The Bunymen e outros. Até aí, nenhuma novidade. Mas a questão é que eles conseguem juntar a seriedade (e certa melancolia) dessa música, com um toque de britpop, tornando as audições mais (digamos...) fáceis, para fãs de rock mais tradicional.

Outros grupos, como The National (um dos grupos "atuais" que mais me agrada), Editors e The Horrors, de certa maneira se utilizam da mesma fórmula. Hora soturnos, hora melancólicos, mas essa pitada britpop na medida certa, acaba tornando o Interpol um dos mais acessíveis e consequentemente de maior "sucesso".

E depois de um hiato de 4 anos, nos deparamos com “El Pintor”. Título que é um anagrama  com as letras que formam o nome do grupo.
Distribuído nos EUA pela Matador e na Europa pelo selo Soft Limit, teve sua pré-venda iniciada há alguns meses atrás. Disponibilizando inclusive versões em vinil preto, branco, com opções acompanhadas de pôster, camiseta, CD, etc. Passada a pré-venda, ainda foram lançadas versões de luxo em CD, limitada em vinil vermelho e as “normais” em CD e vinil preto.



Mas afinal, como soa o álbum?

É difícil ser imparcial quando falamos de um grupo que gostamos e não somos "críticos profissionais".
Mas com a abertura de “All The Rage Back Home”, que em tradução livre, seria algo como "Toda a Raiva de Volta ao Lar", fica claro a energia que seguirá pelo disco. Vocais contundentes, guitarras claras e as vezes agressivas, bateria competente e uma marcante e pesada linha de baixo. Impossível ficar indiferente à audição.

O álbum foi mixado propositadamente grave em algumas passagens, como em "My Desire" ou "Same Town, New Story", onde a batida grave do bumbo pesa além do que normalmente se faz na hora de mixar.
No geral se trata de uma grande viagem musical, onde nenhuma faixa decepciona e torna fácil repetidas audições.
Destaque para a "All The Rage Back Home", Same Town, New Story", "My Blue Supreme", "Everything is Wrong" e "Ancient Ways". Mas sem nenhum exagero, TODAS as faixas são excelentes e merecem serem ouvidas com calma e em bom volume.



A versão em vinil vermelho (que é a que possuo), tem qualidade irrepreensível, e, apesar de iniciar a primeira faixa com alguns ruídos, ao longo do disco só traz boas surpresas. Além do baixíssimo ruído de fundo, da primeira a última faixa fica evidente o bom trabalho feito na hora da mixagem e na prensagem dessa mídia com características tão particulares.

Para mim, um dos melhores álbuns de rock alternativo de 2014.
Mais do que recomendado.

Quer ver o Interpol ao vivo?
O grupo é atração confirmada no Line Up do Lollapalooza Brasil 2015.
Mais informações:
Site Oficial Lollapalooza Brasil

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WILTON B JUNIOR é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
Divide seu tempo livre entre a família, seus discos de vinil e seu violão.
Escrever é apenas um de seus hobbies. Mas junto com a música, sem dúvida essa é uma das maneiras mais sinceras de dividir com o mundo, o mundo que o habita.

domingo, 2 de novembro de 2014

Os 10 discos...

Criei o blog ha algum tempo, de certa forma convencido por minha esposa e minha filha e por uma junção de fatores até hoje (2/11/14) não havia publicado nenhum texto.

Recentemente meu amigo Pablo fez uma lista com os 10 discos mais significativos de sua coleção e convidou a mim e outros amigos para fazermos as nossas.
Aproveitei a oportunidade e ao invés de publicar apenas em redes sociais, resolvi fazer um post diretamente no blog e daí começar a divulgá-lo.

O texto abaixo fala (superficialmente) sobre alguns discos (não necessariamente 10) que de alguma maneira marcaram minha história e mudaram minha vida musical para sempre.



Os discos não estão na ordem exata em que os ouvi, mas todos tiveram importância em minha formação. Seja despertando para um novo estilo, seja para conhecer o trabalho de um grupo específico.

Ótima leitura!

NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA – Ultrage a Rigor (1985) / RADIOATIVIDADE – Blitz (1984)
“Já” com 10 anos de idade, fosse na TV, em programas como Som Pop da TV Cultura, ou mais à frente no Realce da Gazeta, ou ouvindo rádio, já tinha contato com rock que, desde idade muito tenra me chamava a atenção. Mas foi com esses discos que chegaram a mim pelas mãos da minha irmã  mais velha Andréa, que pela primeira vez sentei-me à frente da vitrola com o encarte e letras em mãos e ouvi seguidas e seguidas e seguidas vezes, até decorar todas as músicas.
Resultado: EU GOSTO É DE ROCK!

DOIS – Legião Urbana
À essa altura já tinha algumas fitas cassete com coletâneas que iam de Legião Urbana (1), Titãs, Scorpions (ok, ok... com 11 anos de idade “rock era rock”...) e outras coisas.
Um dia minha irmã Adriana pegou emprestado (para nunca mais devolver) esse LP. E mais uma vez em minha vida parei. Parei, abri o encarte de cor bege encardido, e, música após música, letra após letra, tudo aquilo foi tomando forma na minha cabeça, como quando viajamos lendo um livro.
Hoje, quase 30 anos depois, não consigo ouvir esse disco sem aumentar o volume em músicas como Andréa Dória ou o hit Tempo Perdido. Andréa Dória entraria fácil em meu top 10 das músicas mais marcantes em minha vida até hoje.

OK COMPUTER – Radiohead
Já era fã dos caras. Esse grupo foi daqueles que tive oportunidade de conhecer no primeiro álbum e acompanhar disco a disco as mudanças e a evolução. Mas foi nesse disco aqui que pensei: “Cacete... o lance vai  muito além de um grupo “indie-garage-rock” elaborado.  Paranoid Android, Karma Police, Lucky, Exit Music...
Um divisor de águas e vê-los AO VIVO foi uma das minhas experiências mais marcantes em shows.



THE QUENN IS DEAD – The Smiths
Sim… é o  disco onde os hits estão no lado B. E praticamente em sequencia...
The Boy With The Thorn in His Side, Bigmouth Strikes Again, Theres a Light That Never Goes Out…
Mas foi a terceira faixa do Lado A, que mudou minha concepção sobre a banda. “I know It’s Over” é daquelas canções (como outras já citadas) que até hoje me fazem abrir o volume...
“Oh mother, I can feel... the soil falling over my head...”
É a trilha sonora do fim. E aí, escolha você fim de que…

FIRST AND LAST AND ALWAYS – The Sisters of Mercy
Algumas músicas desse disco faziam parte de um cassete que peguei emprestado na adolescência.
Quando ouvi Andrew Eldritch e sua trupe, mandando músicas como Black Planet, tive um “estalo” e pensei: “É isso... Esse é o som que eu gosto”.
Até hoje toca por aqui e em festas esporádicas onde faça a discotecagem, ainda toco algumas faixas desse álbum.



CLOSER – Joy Division
Joy Division foi o grupo que acabou fazendo sentido para mim mais tardiamente.
Acho que o amadurecimento e os pensamentos cada vez mais incomodados com o "mais do mesmo" em que vivemos, acabou causando essa identificação e ao "reouvir" os álbuns, tudo fez sentido em minha cabeça.
Ouça “Decades”. Não cabem outras explicações...

THE WALL/ DARK SIDE OF THE MOON – Pink Floyd
Pink Floyd é a contradição do meu gosto musical.
Não... não gosto de classic rock, nem tampouco do progressivo dos anos 1970.
Mas esse sem dúvida é uma das exceções e em contrapartida, um dos grupos que mais gosto e admiro.
Ouvir músicas como Confortably Numb, Mother e Time no início da adolescência, me fez aos poucos ir atrás do trabalho do grupo e sua discografia habita lugar cativo em minha coleção.

CHERRY TREE – The National
Em pleno ano de 2013, quando raras coisas atuais me chamavam a atenção, me deparei com Cherry Tree. É a junção de tudo que gosto em música, com direito a um vocal marcante e músicas hora intimistas, hora grandiosas.
Depois desse a coleção só aumenta.

THE SERPENT'S EGG – Dead Can Dance
-Mas Junior… Que estilo toca esse grupo?
-Veja bem...
Esse não da pra rotular. Acho que impactante e emocionante são boas palavras para definir a primeira faixa desse álbum: The Host of Serafin é para ser ouvida em volume alto, em local silencioso e sem interferências externas.
Recomendo também a audição de Into The Labyrinth. Talvez essa seja uma boa maneira de se introduzir na discografia do grupo.

TITLED – Mecano
Anos depois de conhecer grupos de gothic rock, bem como do post-punk como Joy Division, Echo & The Bunnymen, Siouxsie e outros, numa noite na casa noturna Television, acompanhado de alguns amigos, dentre eles Wilians e Nelson, em meio a uma conversa no bar, ouvi Links rolando na pista.
Outra onde não cabem maiores explicações. Se tiver interesse, busque, ouça (alto de preferência) e depois conte o que achou.



SONGS OF FAITH AND DEVOTION – Depeche Mode
Do Technopop dos anos 80, eis que os caras envelheceram um pouco, ficaram mais depressivos e lançaram (para mim), um dos melhores álbuns de sua carreira.
“Canções de Fé e Devoção” tem um pé no rock, com distorções e algumas guitarras sujas em sua construção. Foi um divisor de águas para o grupo, fazendo-os incluir um set de bateria acústica em seus shows, tocada por um de seus ex-integrantes Allan Wilder. Essa atmosfera ajudou o grupo a se consagrar e trouxe mais fãs de rock para sua música.

Para mim, o grupo de música eletrônica com atitude mais rock n roll da música. Rockers, junkies e mais excêntricos que muitos grupos formados por baixo, guitarra e bateria.

INTO THE WILD – Eddie Vedder
Sempre gostei de Pearl Jam, mas nunca fui aquele fã ardoroso.
Um dia, por indicação de amigos, assisti ao filme Into The Wild e fui fisgado pela trilha sonora.
Impossível ficar indiferente a Long Nights logo no início do filme. O que vem depois é “apenas” o complemento do filme. Ou seria o filme complemento da trilha? Enfim...
Itens obrigatórios para quem gosta de MÚSICA e CINEMA.

E você? Quais discos fazem sua cabeça?

Abraços e até a próxima.
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Wilton é casado com Tatiana e pai de Carolina e do cão Floyd.
Divide seu tempo livre entre a família, seus discos de vinil e seu violão.
Escrever é apenas um de seus hobbies. Mas junto com a música, sem dúvida essa é uma das maneiras mais sinceras de dividir com o mundo, o mundo que o habita.